Steven Wilson e sua obra de chorar
- 10 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: 11 de mai.
Sim, amamos discos de vinil. Mas acima de tudo a gente ama música e a arte que ela inspira. E videoclipes fazem parrte disso. Por isso, o início deste post é sobre a obra de arte de Steven Wilson, sua música e clipe The Raven that refused to sing. Prepare-se para assistir (com fone) e deixar cair uma lágrima por aí. Ou algumas. Depois, siga na leitura.
Emocionante, extraordinário. Desenvolvido pela Jess Cope, animadora sul-africana com estilo fortemente influenciado por Tim Burton (ela também trabalhou no filme Frankenweenie do diretor). A animação levou 8 meses para ser feita, com uma equipe de três animadores produzindo em média 12 segundos de footage por dia. Sim, deu trabalho e valeu cada segundo. É um dos videoclipes mais artesanais e emocionalmente densos do rock progressivo contemporâneo.
Quando Steven Wilson convidou Jess Cope, ela foi até a casa dele em Hemel Hempstead, sentou no sofá do estúdio e fechou os olhos para ouvir a música pela primeira vez. Wilson disse que ela poderia usar o próprio estilo ou seguir o estilo do ilustrador Hajo Müller, que havia criado as imagens para o livro encadernado da edição de luxo do álbum. Cope respondeu: "Por que eu usaria meu próprio estilo quando já temos o do Hajo? Isso é um pacote." Ela queria que os dois trabalhos, livro e vídeo, fossem um conjunto coeso.
Agora, o pai da obra: Steven Wilson. É bem provável que você já o conheça. Mas se não ouviu falar, chegou a hora. O cara não é apenas uma referência no universo de produção musical, é um dos compositores mais reconhecidos das últimas décadas, capaz de misturar influências que vão desde Pink Floyd, Beatles, Jazz progressivo até Radiohead. Tudo isso? Sim, parece estranho até você escutar a primeira vez, mas soa como perfeição.
Em 2025, tivemos o imenso prazer de assistir seu show solo aqui no Brasil. Um espetáculo audiovisual impecável. Execução perfeita em todos os sentidos, banda detalhista, mix de PAs equilibradíssimo, tudo acompanhado de clipes sincronizados, levando o público a uma experiência única. Sortudos que somos, ouvimos bem de perto a famosa The Raven that Refuses to Sing, música do clipe e álbum homônimo.
O clipe nos leva a uma viagem delicada e sensível ao universo do luto. No caso, de uma irmã falecida do idoso personagem. O canto do corvo surge como elemento de passagem entre os dois mundos, ora unindo ambos, ora silenciando o contato. Como diz a letra "I'm afraid to love...". O que nos faz pensar nas consequências do luto, o qual clama "stay with me, please....". O corvo solto liberta. Preso, silencia. São intensas reflexões por aqui.
O álbum
The Raven That Refused to Sing (And Other Stories) (2013) é uma das obras primas autorais de Steven Wilson. Este disco é um tributo ao rock progressivo clássico dos anos 70, com nuances contemporâneas que você capta rápido. O disco tem produção de Alan Parsons (engenheiro de som do lendário álbum The Dark Side of the Moon do Pink Floyd). Wilson convidou Alan Parsons especificamente para atuar como engenheiro de gravação para conseguir um som quente, orgânico e vintage, característico das produções dos anos 70 que Parsons domina. Grande parte do álbum foi tocado ao vivo na mesma sala de estúdio, o que resultou em uma sonoridade muito mais orgânica.
O álbum é celebrado pela complexidade e narrativas de contos sobrenaturais, como a música do videoclipe. Contém 6 músicas, uma ode a contemplação musical. O LP, duplo e com uma linda capa da Lua ilustrada, traz no plástico exterior um selinho que vale a pena manter grudado por anos, dizendo:
“Se você comprar apenas um álbum para o resto da sua vida, compre este.”
Exagero? Talvez não.
As edições em vinil

Existem basicamente três gerações de prensagem:
A original de 2013 pela Kscope, duplo LP 180g, prensado na Alemanha, capa gatefold com encarte interno impresso. Colecionadores no Discogs elogiam muito o silêncio de superfície dessa prensagem, fundamental num álbum que tem passagens quase inaudíveis de piano solo.
A reedição de 2021 pela Kscope, prensada em vinil preto 140g, também em gatefold com inner sleeves impressos, contém também um insert promocional. Prensada pela Optimal Media na Alemanha (referência em silêncio de superfície) é considerada por muitos colecionadores a melhor versão sonora disponível.
E a edição de 10º aniversário de 2024 pelo selo Transmission, duplo LP em vinil glow-in-the-dark que brilha no escuro, em 140g, capa gatefold com hype sticker comemorativo e booklet de 8 páginas com artwork de Hajo Müller e letras. Prensada na União Europeia. O vinil luminescente é visualmente deslumbrante e tematicamente perfeito para um disco de histórias de fantasmas, mas colecionadores alertam que o ruído de superfície é mais alto que o das prensagens em vinil preto.
Para quem quiser completar: edição de luxo:
A edição de luxo original veio num livro encadernado de 128 páginas ilustradas por Hajo Müller, com letras e as histórias por trás de cada faixa, mais o álbum em CD, um CD exclusivo adicional e um DVD com mix 5.1 em DTS 96/24, galeria de arte com imagens de Hajo Müller, galeria de fotos de Lasse Hoile e documentário de estúdio filmado e editado pelo mesmo Lasse Hoile. O Blu-ray incluiu ainda versões instrumentais de todas as faixas e a faixa bônus "Drive Home — Lounge Version". É um daqueles raros casos em que o objeto físico é tão ambicioso quanto a música que contém.
O que mais?
Steven Wilson também é conhecido como o fundador da banda Porcupine Tree e por uma sólida carreira solo com discos que merecem ser escutados, como também TO THE BONE, o qual traz um mergulho em novas cores musicais com a música Pariah. Escute abaixo!























Comentários